Supernovas
setembro 27, 2010
Em algum lugar remoto do Universo cintilante, uma estrela ilumina planetas que orbitam ao seu redor. Dentro dessa estrela um fenômeno acontece: seu núcleo se comprime cada vez mais, fundindo violentamente seus componentes e essa estrela segue adquirindo mais massa. Os planetas não se abalam pela fusão que acontece no núcleo da estrela, mesmo pouco antes do colapso. Os que não forem destruídos por essa massa muito maior, serão arrasados numa explosão que poderá ser vista de outras galáxias, tamanha sua força. Mas ignoram o que está por vir, estão seguras em seus campos gravitacionais.
Na democracia a maioria detém o poder de decisão. Por maior que seja a manipulação, a facilidade de alienar, ninguém cessa a fusão de ideias, a contestação permanece sendo característica inerente ao ser humano.Já que assim foi instituído, e ainda não pensamos em nada melhor que o extremo oposto: uma ditadura que cala, condena sem julgamento e trava o melhor que somos (criativos, espontâneos e livres) temos de chafurdar sem nojo nem preguiça a política que fazemos, e não somente nos submeter a ela, criar ambiente para que em próximas eleições não tenhamos de escolher o menos pior, votar em um só torcendo para o outro não ganhar.
Ao contrário do que se pensa não é o povo que orbita um astro pré-existente, somos pais do sistema político, nós somos o astro, não as vitimas. Políticos e sistema nos orbitam. De que adiantaria ter poder sem ter a quem governar, de que adiantariam os tributos se nós não os pagássemos? O Estado foi instituído para nos representar e, ironicamente, assumiu essa posição inatingível, um complexo de superioridade que depende de nossas condescendência fiel. Desde a esperança ao idealismo do analfabeto funcional que é, exatamente, a maioria de nós. E NÓS ditos “letrados” deixamos. Deixamos que a maioria, que não pensa como nós continue a escolher o que não queremos nem para nós, nem para eles mesmos!
Por acreditar que tudo ocorre de forma randômica comparo uma manifestação social à uma supernova. Uma supernova não tem muita previsão ou pressa de acontecer, o que para nós são milhões de anos, para uma estrela é só o tempo necessário para sua explosão. Ela também não consegue prever as conseqüências de sua violência, assim como tantos golpes e revoluções já não alcançaram seus objetivos, seus ideais. Vieram antes ou depois de seu próprio tempo. Mas vieram, foram influência ou referência para algum outro movimento social posterior, mesmo manifestações populares manipuladas, como a do Impeachment do Collor são legitimas e deveriam ter muito maior conseqüência, se tivessem não teríamos alguns dos candidatos que provavelmente serão eleitos em poucos dias.
A hora é de nos fundirmos em tudo o que há de mais explosivo em nós. Aleatório que seja o resultado será uma ação, e essas nunca deixarão de apresentar reação. O medo do inesperado já impediu demasiadas vezes exatamente quem tem todos subsídios de tomada de decisões. Tão logo essa consciência destemida se apodere das mentes da maioria viveremos a real democracia. Que adianta uma maioria amedrontada, acuada em becos, enquanto quem foi escolhido democraticamente para nos representar desfila em amplos gabinetes com mais regalias do que supomos? Do que toleramos? Não é a toa que a cada escândalo político nos indignamos com detalhes como o cesto de lixo de R$1.000,00 do reitor da Universidade de Brasília em 2008. Tomara que mais detalhes como esse venham à tona, gerem aquela inveja raivosa, aquela que só Machado de Assis consegue descrever até envergonhar por que a gente entendeu muito bem.
A supernova é a morte de uma estrela, ela pode causar tanto o nascimento de outras estrelas em outras galáxias, mais ideias e ideais. Quanto, se apresentar uma massa aproximadamente trinta vezes maior que o sol, um buraco negro. Drástico. De um buraco negro, nada escapa.
